quinta-feira, 7 de março de 2013

Cadê as mulheres no RPG?

 Por Natalia Avernus

No dia internacional da mulher, onde se reforçam todas as lutas pela conquista de direitos e igualdade, todos (ou quase todos) se lembram de homenagear nosso gênero, eu lanço a pergunta: cadê as mulheres no RPG?

É uma pergunta freqüente da parte de muitos homens que jogam RPG. Por que as mulheres não se interessam pelo hobby? Por que geralmente as jogadoras são sempre as namoradas que o jogadores/mestres chamaram? Por que elas só querem jogar vampiro? MestrA? Existe mulher mestrando?

Vou falar um pouco do meu ponto de vista feminino sobre por que somos tão poucas neste meio (embora tenhamos crescido um pouco em número se compararmos com alguns anos atrás).


Uma dose de machismo

É difícil de acreditar, mas existem casos de grupos formados apenas por homens que são fechados para mulheres. Vi o caso de uma amiga que queria jogar e o grupo não permitiu, alegando que ela "não ia levar a sério" o jogo...

Seja por achar que a jogadora não vai entender as regras, que não vai conseguir desenvolver bem o personagem, que não vai ter compromisso... Um grupo que fecha a porta para uma jogadora está acabando com a motivação dela de jogar. Se ela for iniciante, será que vai tentar de novo?


Um tanto fora de contexto?

Muitos RPGs têm uma temática diferente do que as mulheres em geral costumam se interessar. Você já viu alguma menina brincando com uma espadinha de plástico? Não seria surpreendente se a maioria dos homens fossem se interessar por RPGs de aventura, pois sua criação incluiu alguns gibis de heróis, bonequinhos do He-Man, soldadinhos, naves espaciais, monstros, etc. Compare com os brinquedos e revistas das meninas e garotas adolecentes...

Quando os sistemas ainda estavam surgindo, não havia uma variação temática tão grande como há hoje. O Vampiro: a máscara foi conhecido por trazer uma enxurrada de mulheres para o mundo do RPG. O por quê disto? Um jogo que apreentava opções de mais interpretação, sobrenatural e, óbvio, vampiros! Isso foi o bastante para interessar muitas mulheres. A porta foi aberta.


Oba! Mulher jogando!

É incrível como alguns homens agem como verdadeiros lobos quando uma mulher entra no grupo. Às vezes alguns olhares indiscretos, flertes durante a sessão (com o personagem ou diretamente para a jogadora mesmo).

Nem preciso dizer que isso é um forte fator para afastar as mulheres do RPG. Eventualmente pode surgir um romance de uma mesa, mas se não acontecer, não é o fim do mundo. O jogo continua (deveria continuar, pelo menos).

Soluções?

Quando estiver apresentando o RPG a uma mulher é preciso saber o que ela vai gostar de jogar... Se ela não gostou de Star Wars, mas gostou de Senhor dos Anéis, um jogo de fantasia medieval é uma boa. Sistemas muito complexos podem desencorajar: prefira um mais simples ou até mesmo jogue apenas com roleplay algumas sessões separadas com ela pra que ela entenda o que é de fato o RPG e não ser jogada no meio de jogadores que vão falar coisas que ela não vai entender direito (peraí, meu BBA tá anotado errado! Qual o redutor pra este nível de escuridão? Vai dar dano usando o GDP ou o Bal? Ai, meu willpower zerou! Upei!).

Quando uma mulher for entrar no grupo, se algum jogador tiver a fama de "Don Juan", peça que ele ao menos tenha bom-senso de não fazer seus flertes durante a sessão. E que ele tenha consciência que isso pode afastar permanentemente a mulher do grupo...

E nunca dê "tratamento diferenciado" por que ela é mulher. Nada de benefícios, nem de salvamentos totalmente arbitrários, nem dicas e facilidades que você não dê aos outro jogadores. Nem faça com que a personagen dela seja seduzida o tempo todo, que suas armaduras quebrem revelando sua nudez o tempo todo, que ela seja mentalmente dominada e vire uma escrava sexual o tempo todo...Violência tem limite.

Até Brienne, a Azul, pode ser salva... Mas se fosse o tempo todo, teria graça?

Nós já sofremos bastante preconceito diariamente. No RPG realmente não precisa ser assim. Pelo menos se você quer que as mulheres apareçam e se mantenham no RPG.







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Créditos da imagem 1
Woman in Black by PalmerRay (Deviant Art)
 
Créditos da imagem 2
Jaime and Brienne - The Bear of Harrenhal by Evolvana (Deviant Art)

20 comentários:

  1. Bem legal, Natalia. Mas é isso mesmo. Acho que a presença feminina no RPG não é tão forte pela forma de criação mesmo na nossa sociedade. Talvez ela seja um pouco machista, não sei (deve ser né?). Mulheres são criadas com uma imagem de que devem ser passivas, esperar os seus príncipes encantados, se preocupar com a roupa que vão usar ou que pertences possuem, e não em sair para aventuras e conquistar o que querem.

    Talvez uma educação que foque em mostrar mais heroinas e aventureiras femininas possam modificar isso no futuro. É um caso a se pensar né?

    Isso sem falar que a imensa maioria dos jogos de RPG dificilmente retrata personagens femininas, e quando as retrata, geralmente as coloca em posições mais passivas. Tudo bem, isso se deve ao fato da literatura que inspirou esses jogos foi feita por homens, para homens. Mas sei lá, acho que esse é um ponto que os jogos podem superar.

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  2. Sempre vi que as mulheres são menos presente no RPG que os homens, pelos mais variados motivos, mas lendo seu post, percebi algo que não tinha levado em consideração ainda: a criação.

    Sempre temos posts do tipo, nessa época do ano, relacionado à mulheres e RPG, mas fazia tempo que não lia algo que realmente me fizesse pensar no assunto.

    Parabéns pelo ponto de vista!

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  3. Desde que comecei a Narrar histórias, sempre tive uma ou duas mulheres no grupo (condição bem diferente de quando comecei como jogador), e pude observar todas as situações que descreveste acima.

    Ao mesmo tempo, vi também o potencial delas no jogo: a escolha de papéis opostos à personalidade (por exemplo, jogarem com personagens masculinos), interpretações melhor trabalhadas... Era delas que vinha omais interessante nos jogos, e isso acabava inspirando os demais. Foi com jogadoras que aprendi a priorizar a escolha do grupo na mesa, desde o cenário/sistema a ser jogado até aos rumos da trama, e fico bem satisfeito de ter essa vivência como Narrador.

    No mais, parabéns pelo texto, e que ele motive grupos (e jogadoras) de modo semelhante ao que aconteceu comigo...

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  4. Há outra questão social referente à criação, há uma pressão maior para a menina "sair da infância", apropria pressão das proprias transformações sociais e a função social na qual a mulher é empurrada, tornar-se esposa e mãe. Assim logo nos primeiros sinais de transformação a menina é vítima de uma enxurrada de repreenções como "agora você já é mocinha,não pode se comportar assim".A mulher deve tornar-se mulher, deixar de "ser criança" e isto é passado como um salto,mas este "deixar de ser criança" significa reprimir as bincadeiras, a fantasia e partir para um mundo de ideias e interesses completamente diferente da infância. Os homens sofrem esta pressão geralmente mais tarde, quando começarão a trabalhar, e assim sua identidade já está mais construída, por isso, a fantasia e o jogar continuam como aspectos "naturais". Históricamente o jogo sempre foi 'atividade masculina' nas sociedades patriarcais, dos esportes na grécia, das mesas de carteado, enquanto à mulher, a atividade lúdica foi relegada à infância, que elafoi obrigada a abandonar para se tornar mulher.

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  5. Post muito show! Acho que esse distanciamento se deve ao estigma que RPG tinha de ser um hobby de "nerd espinhento" e também por haver poucas "mulheres nerds" até pouco tempo. Felizmente ambas as visões estão mudando.

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  6. Muito legal o seu texto, realmente já ouvi falar de histórias de discriminação em RPG, não só contra mulheres, mas até mesmo contra negros. Vai entender? Para quem tem mente aberta é muito difícil. Quanto a história sobre os flertes, eu já fui alvo de um flerte (in game) por uma jogadora, então minha situação é inversa nesse caso!

    Tive a sorte de ter um grupo que por muito tempo teve uma mulher jogando (excessão à regra, não era namorada ou esposa de nenhum dos jogadores) e sempre foi tratada de maneira normal por todos os jogadores.

    Agora quanto aos motivos de ter poucas mulheres jogando, acho que um dos principais é o estigma que o RPG ainda tem, de uma forma geral, de ser um jogo de "nerd". Muita gente tem medo de aceitar seu lado nerd, principalmente as mulheres, que se desenvolvem socialmente mais cedo de forma geral, e não querem ser mal julgadas pelo grupo de amigas.

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  7. Sabe o que é pior, de todos os comentarios a sua excelente matéria, todos os 7 (incluindo o meu) são de homens, o que nos leva a crer que não só elas não jogam como tambem não leêm nada de RPG, o que incluem esse blog e as matérias nele contidas....

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  8. Post interessante. Eu falei sobre isso no meu blog em 2011: http://dadoviolado.com/2011/10/14/o-inevitavel-mulheres-e-o-rpg/

    1) Por que as mulheres não se interessam pelo hobby?
    Porque a maioria dos jogadores são homens que não convidam mulheres para jogar, porque não existe um esforço deliberado em trazê-las para a mesa de jogo, porque muitos jogos são obviamente/dissimuladamente sexistas... the list goes on. Pode ser resumida em: porque o mundo do RPG é um microcosmo do nosso mundo, e nosso mundo é machista e tende a excluir as mulheres de atividades 'tradicionalmente' masculinas, especialmente jogos e brincadeiras após a infância.

    2) Por que geralmente as jogadoras são sempre as namoradas que o jogadores/mestres chamaram?
    Porque a maioria dos jogadores é composta por homens, e muitas mulheres só ficam sabendo que RPG existe quando um garoto conta isto a ela. É mais fácil chamar sua namorada para participar do que uma desconhecida.

    3) Por que elas só querem jogar vampiro?
    Eu acredito que, estatisticamente, a maioria das mulheres jogue fantasia medieval, porque esse é o setting dos jogos mais populares. De qualquer forma, a popularidade de Vampiro entre as meninas se dá porque foi feito um esforço para conquistá-las: ilustrações de mulheres poderosas e protagonistas, em pé de igualdade com homens; mulheres como exemplo de personagens que seriam 'tradicionalmente' masculinos (guerreiras, feras >> Brujah, Gangrel); em inglês, optou-se até por usar pronomes no feminino, coisa que se perdeu na tradução para o português.

    4) MestrA?
    Na minha experiência, noto que mulheres se interessam menos por regras e mais pela parte 'roleplay'. E geralmente não vemos mulheres em papéis de liderança na nossa sociedade... então é lógico supor que menos garotas irão preferir a dianteira e assumir o papel de 'deus' (game MASTER, lembre-se). Claro que não falo de liderança como se o mestre fosse superior, mas ele conduz a narrativa... e nem na dança as mulheres conduzem.

    Por fim, nunca sofri ou vi nenhuma garota sofrendo preconceito ou assédio em nenhum grupo ou evento exclusivo de RPG do qual fiz parte. Acho que não existe um jeito "masculino" ou "feminino" de jogar, acho que mulheres se interessam menos por regras por que socialmente são apartadas de áreas que envolvam matemática, e gostam de roleplay porque são direcionadas para áreas mais Humanas - não por alguma determinação biológica ou algo do tipo.

    Também não acho que devam receber tratamento diferenciado. Devem ser respeitadas porque são pessoas, não porque são mulheres.


    É isso, desculpe o wall of text.

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  9. Pois é. Talvez esse distanciamento feminino seja uma extensão desse desinteresse do grande público pela cultura de rpg, o que só piora com as temáticas shounens tão recorrentes nos cenários e sistemas clássicos.

    parabéns pelo artigo, o blog e pelo dia da mulher!

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  10. Não é só isso, é só olhar para uma Holly Avanger, que se enxerga o público ao qual o produto é destinado.

    8 de Março de 1917 é um dia simbólico pois marca o início de uma grande greve organizada por Operárias, por melhores condições de vida e contra o Czarismo, que serviu de estopim para a Revolução Russa, 8 de março não é um dia comemoração é um dia de luta, posto que o mundo que as trabalhadoras de 1917 lutaram, e pelo qual Alexandra Collontai lutou no interior do partido Bolchevique para se fazer lembrado, ainda não se realisou.

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  12. Sempre pensei que, pela maioria dos RPGs lidarem com temas tradicionalmente "masculinos" (acumular recursos, vencer inimigos, liderança e violência), seria natural que existissem comparativamente menos mulheres interessadas. RPGs em que esses temas tradicionalmente masculinos não são o foco, como Vampiro, observo que a quantidade de mulheres interessadas em jogar e continuar jogando é bem mais proporcional à de homens.

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  13. Eu comecei a jogar RPG em 1997, e por alguns anos fui uma moderadora (a única mulher) do fórum de um site de Mago: A Ascensão. O que você descreve se parece muito com o cenário geral do RPG na época em que eu comecei a frequentar o EIRPG todos os anos e quando moderava o fórum de Mago, embora meu grupo de escola na adolescência (é, eu tive um -e era a narradora) fosse de 4 meninas e 2 meninos, mas essa era a proporção de distribuição de sexos na escola em que eu estudava (já que eu fiz magistério). Mas eu tinha plena noção de que isso era excessão.

    Agora, hoje em dia, eu não vejo tanta disproporção nos lugares por onde eu circulo: O grupo do meu irmão tem 2 mulheres e 3 homens. O de uns amigos também tem mais ou menos essa proporção, só o grupo de uma amiga minha tem muito mais homens que mulheres. O meu grupão é mais ou menos equilibrado em termos de sexos (e tem casais, sim, mas tem homens E mulheres solteiras também, numa boa, num clima super respeitoso). Os grupos de combates de espada de espuma dos quais eu acompanhei os treinos (quem disse que mulher não brinca de espadinha?) tinham só um pouco menos de mulheres em relação aos homens, mas grande parte das mulheres são conhecidas por "bater forte"(leia-se: elas superam as expectativas dos homens) e por serem disciplinadas e empenhadas.

    Assim, ler esse texto foi bem estranho prá mim, porque ele parece, na minha vivência, algo escrito há alguns anos atrás, e não nos tempos de hoje. Nem ia comentar, mas como outro comentador apontou que não tinham mulheres comentando, acabei decidindo escrever. Mas talvez eu esteja num ambiente muito específico (o pessoal dos fandoms de São Paulo) ou numa faixa etária específica (os mais novos estão com 25 - 26 anos, os mais velhos chegando nos 5.0 - só conheço um grupo que a faixa etária é menor, eles têm entre 18 e 22 anos, e são duas meninas prá quatro meninos).

    Agora, na maioria dos MMORPGs, ainda é bem como você fala, até porque, na média, as personagens femininas andam só de tapa sexo. O único equilibrado que eu conheci foi Jade Dynasty - meu grupo de JD era super parecido com o grupo da web series The Guild em termos de distribuição de gênero e faixa etária - só que, na maioria das vezes, as meninas eram as tankers e os meninos supporters/healers).

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  14. Show Natália, excelente texto!

    Minha esposa também escreveu um artigo contando sua experiência como jogadora e narradora de RPG no Mundo Tentacular.

    http://mundotentacular.blogspot.com.br/2013/03/guardia-de-cthulhu-vida-de-jogadora-e.html

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  15. Conheci minha esposa jogando rpg, 11 anos atrás. Atualmente, ela e a noiva de um amigo jogam no grupo.

    Na minha época de faculdade, jogávamos tb com 2 mulheres.

    Muuuito tempo atras, num grupo que tinha em outra cidade, tb. houve uma garota, mas aí a experiência não foi legal. Metade do grupo xavecou (e ficou com) a jovem, começaram a rolar uns estresses, e a outra metade deliberou pela exclusão da garota do grupo, para acabar com o foco dos desentendimentos. Mas foi exceção.

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  16. Alguns comentários tensos... "As mulheres", "as mulheres"....São um grupo heterogêneo. Porque se assume tão menos coisas dos nerds RPGistas e com as mulheres a galera tenta achar formulinha?

    Pode ser chocante mas; existem garotas gordas, espinhentas e nerds que pensam em quadrinhos o dia todo. Existem garotas que odiaram rosa, bonecas e moda a vida toda e que querem ficar jogando MMORPG até o amanhecer. Existem mulheres que só tem amigOs. Existem RPGistas mulheres Roleplayers, Porradeiras, Advogadas de Regra e as que preferem mestrar.

    Isso posto, a heterogeneidade, pulo pro mais comum e pras generalizações; Se a menina é normal ou bonita é apavorada por cantadas, se a menina é feia é escrachada o tempo todo como se tivesse obrigação de ser "pegável".. Afinal de que adianta mina no grupo se não é pra pegar, não é mesmo?

    Vejo que isso ocorre com novatas e não com novatos; os jogadores tentam falar de forma mais ininteligível possível a regra pra garota, num misto de querer apavorá-la e conquistá-la, mostrar-se foda por saber aquelas coisas todas. Primeira vez que fui jogar mago na vida os caras ficaram me falando de Nefandi e do apocalipse.. Foi um porre.

    Um adendo a isso: Ajudar a garota dando bônus e facilitações pra ela no jogo a faz sentir uma retardada E novamente irradia os homens com ar de superioridade, pois eles estão jogando a sério. NUNCA façam isso.

    As imagens nos livros de RPG dão nojo pra gente! Carambolas, que são aquelas peitudas sem espinhas!!! Toda vez que eu vejo uma "Niele" eu sinto uma placa dizendo "Você não é nosso público alvo. Caia fora daqui." Além disso é a mídia de novo arremeçando na nossa cara que não temos um corpo desejável (Pois os dos desenhos e capas de revista nem existem na vida real)..

    A maioria das jogadoras, de fato, tá se ferrando pra regras. E pras lutinhas. Maioria digo pois já vi jogadoras de lobisomem porradeiras, mas isso é exceção. Uma sessão de D&D de ficar batendo em bichinhos insignificantes pra ganhar level é uma experiência extremamente xarope e tediosa pra mim.. Eu quero uma história. NPCs bons. Interações boas. Representar.

    Aliás o bom o velho D20 nem deixa eu criar o personagem que eu idealizei, O sinto um treco travado, onde eu tenho que escolher algum daqueles bonequinhos prontos.. Por isso eu fui pro GURPS. GURPS é o paraíso da representação, eu posso passar horas escolhendo skills e peculiaridades imbecis para meu personagem ficar do jeito que eu quero..

    Enfim. A maioria dos jogos de D&D são carnificina nonsense, a maioria das garotas acha isso um saco. Vampiros gostosos com temas sombrios e cenas arrastadas de roleplay parecem muito melhores.. Certa vez vi uma mesa de Vampiro de 3 garotas que era basicamente um Dating Game Yaoi de Toreadores, e elas se divertiam horrores com isso.

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  17. Eu perco muito tempo com o que eu chamo de "brincar de casinha". Eu adoro interpretar como o personagem se adapta a um quarto de hotel, o que come no café da manhã, seus trejeitos, crenças, chatices.. E principalmente interagir isso com os outros. Fazer os jogadores interpretarem isso aumenta muito o nível de coesão da mesa.. Não sempre, as vezes, "fillers" tem que ser usados com cautela. É um ótimo quebrador de tensão; e em mesas de ação essa convivência é cortada, então nunca chegamos a saber que o Orc bárbaro só consegue dormir com um determinado travesseiro, mesmo que o jogador tenha escolhido essa característica peculiar e engraçada pro personagem.

    Isso tudo deixa os personagens mais humanos; eu mestrei D&D de uma campanha de nível 5 até o 20, onde os personagens ganharam presentes divinos por ter salvo o mundo. Não eram bonequinhos, não eram "O mago do João" e o "Ladino do Pedro".. Eles tinham nomes, histórias e personalidades, o que fez com que as lutas finais fossem mais impactantes e dramáticas porque os personagens realmente eram amigos muito próximos (Padrinhos de casamento, parceiros comerciais..) e isso tudo foi construído graças a essas cenas de interlúdio de roleplay.

    Pelo meu estilo de mestragem (Sim, sou mais mestra que jogadora normalmente) e pela minha grande coleção de imagens de fantasia que incluem garotas não estupidamente sexualizadas como aventureiras, eu costumo agradas muito novatas ao mundo do RPG. Minha mesa continua tendo maior parte de jogadores homens, no entanto, mas... Eu consegui fazer três garotas absolutamente n00bs em RPG montar fichas em GURPS numa única tarde, e na semana seguinte já estávamos jogando.. Mas..

    No fim ninguém era combatente. Todos (Os garotos foram influenciados) decidiram comprar um monte de "besteira" como jardinagem, culinária, colecionador de borboletas.. E daí formou-se um dos grupos de "aventureiros" mais atrapalhado do mundo. Foi SUPER divertido, no entanto..

    Então um aviso; Se querem mulheres, tentem deixar o jogo com brechas pra representação e faça cenas que não possam ser resolvidas só com porradaria. Garotas tendem a decorar nome, história, e se apegar a NPCs, e não se impressione se uma quiser adotar um Kobold como pet. Não tente forçar a garota a ficar matando bichinhos a menos que ela goste disso, isso em raros casos vai agradar.

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    1. Gostei muito da sua resposta. Não só por chamar a atenção para o perigo de algumas generalizações e para o inferno que às vezes significa ser mulher num mundo machista, mas também por revelar uma sensibilidade bastante grande ao aspecto narrativo do RPG. O trecho sobre 'interpretar como um personagem se adapta a um quarto de hotel' foi particularmente bonito.

      Não sei bem por que resolvi escrever isso. Talvez pelo fato de ter saído um pouco frustrado das últimas mesas das quais participei (justamente por uma falta de atenção de todos os jogadores a qualquer questão que não envolva números numa ficha). Talvez mesmo só para dizer: continue fazendo comentários inspiradores.

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  18. Tive uma mesa nesse sábado no evento do Gamepolitan em Salvador, onde eu mestrei Lamentations of the Flame Princess (Lotfp) e havia 3 mulheres na mesa. Nao tenho problema em tratar igualmente mulheres e homens na mesa. Uma morreu por um demônio e outra porque, ao voltar para seu coven de bruxas, ela começou a discordar deles e, portanto, foi estripada e seu corpo usado num ritual de invocação (do demônio que matou a outra). A única que se salvou foi uma maga que se uniu ao coven. Os outros jogadores (3 homens) também morreram para o demônio.

    O que acho mais difícil é quando existem Don Juans. Isso me incomoda deveras. Nessa mesa houve algumas indiretas, mas consegui mitigá-las. Houve até uma 'pegada' na mão de uma das jogadoras, mas eu tive de separar falando para o rapaz focar. Esse é meu principal medo: a inconveniência e constrangimento

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  19. Cara, eu sou um verdadeiro alienado nesse assunto,sou irmão de 3 meninas, sempre consegui jogar com meninas em vária mesas em 2 estados brasileiros, e conheci minha esposa por causa do RPG, sou um cara grandão e muito carinhoso, isso já me rendeu problemas de interpretação, mas nunca, repito, nunca presenciei ou cometi um ato desses. Obs.: Estamos falando de seres humanos, muitos jovens é claro, e nas relações sempre vão acontecer flertes, namoricos e coisas assim, isso não quer dizer que a azaração tá liberada, mas como qualquer atividade que envolve grupos de pessoas, relações assim sempre, sempre vão acontecer, bom mesmo é fazer com que o respeito seja mantido, diálogo e se sentiu incomodado incomodada, fala, explica, conversa, comunicação é tudo. :-)

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