Por Natalia Avernus
Quem nunca viveu um conflito
entre jogadores e/ou mestre em uma mesa de RPG? Conflitos fazem parte da
natureza humana e surgem em todas as situações da vida, por que no RPG seria
diferente?
No entanto, tirando algumas
situações extremas, é possível analisar os problemas e tentar uma solução para
que a relação entre as partes afetadas não seja prejudicada. Enumerei aqui os
casos mais comuns que geram conflito nas mesas de RPG e a maior parte deles
surge entre a relação Mestre X Jogador. Mestres, estejam bem atentos!
1) “Você está me perseguindo!”
Se um jogador não é tratado com
igualdade e se sente prejudicado, é natural que ele reclame, e com razão! A não
ser que as próprias atitudes do personagem tenham levado ele a ser perseguido,
não é nada legal ver os outros personagens se dando bem e o seu personagem
sendo prejudicado o tempo todo.
Claro que existe também o jogador
melindroso, que tem mania de perseguição e acha que tudo dele é pior, que os
outros são mais fortes que ele... Todos os jogadores e o mestre devem opinar e
chegar a um consenso. Caso seja infundada a reclamação, o “melindroso” deveria
admitir que está exagerando.
Resolvendo o conflito:
Na vida real, tem gente que se dá
bem sem fazer esforço quase nenhum e outras que por mais que se esforcem só se
metem em problemas e desgraças, mas a proposta do RPG é sair da vida real,
então não tenha medo de ser justo com os jogadores. Se você persegue aquele
jogador por qualquer motivo pessoal (antipatia, ressentimento, etc.) há duas
saídas: ou releva o problema e começa a tratá-lo em pé de igualdade ou o convida
a sair. A segunda opção é delicada e pode gerar rompimento de amizades e
conflitos ainda maiores, então deve ser debatida com os outros jogadores antes
da decisão ser tomada.
2) “Ele(a) é seu(sua) protegido(a)!”
O contrário do caso acima. O
mestre faz questão de facilitar as coisas pra um jogador (dá itens mágicos,
contatos poderosos, os melhores pagamentos, reconhecimento, etc.) e enquanto
isso os outros assistem indignados. Acontecer eventualmente de um jogador se
dar bem em relação aos outros é natural, mas se a campanha for assim
indefinidamente, prepare-se para ver os preteridos indo buscar outros mestres.
Resolvendo o conflito:
Mais uma vez bato na mesma tecla:
igualdade para os jogadores! Não importa se o jogador é seu marido, esposa,
melhor amigo, se você tem segundas intenções com ele... Se estiver recebendo um
tratamento diferenciado, você está frustrando os outros jogadores. Tendo
consciência disto, mude sua atitude e com o tempo eles perceberão que o
“protegido” agora é um jogador como todos os outros.
3) Casais na mesma mesa
Eventualmente há casais jogando
RPG. Alguns já chegam unidos e outros são formados na própria mesa de jogo.
Seja namoro entre jogadores, ou de jogadores e mestre, muitos problemas podem
acontecer: brigas, ciúme, levar tudo para o pessoal... O pior é quando a
relação termina. O clima muitas vezes se torna insuportável e um deles (se não
os dois) irá parar de jogar. Se um deles é o mestre, geralmente o namorado(a)
jogador(a) irá embora.
Resolvendo o conflito:
É muito difícil interferir numa
briga de casal. O que se deve fazer é pedir é que eles não tragam seus
problemas de casal para a mesa e caso a discussão aconteça durante o jogo,
pausar e deixar que eles se entendam e só depois voltem ao jogo (mesmo que seja
em outra sessão). No caso do término da relação, não se deve forçar que os exs
se encontrem. Caso a relação tenha terminado de forma pacífica, tanto melhor.
Senão, naturalmente um (ou os dois) parará de jogar por si próprio.
4) “Eu odeio seu jeito de mestrar/jogar”
Jogadores e mestres divergem de
opinião e quando não foi previamente acordado, a campanha pode tomar rumos que
alguém não vai gostar. Ou alguém está se comportando de uma maneira que incomoda uma ou mais
pessoas do grupo. Seja um jogador exibicionista ladrão de cenas, seja um
apelão, seja um advogado de regras, seja um mestre tirano, assassino... Sempre
haverá problemas e se o grupo não tiver harmonia, dificilmente o jogo poderá
ser levado adiante.
Resolvendo o conflito:
Teoricamente não há jeito “certo”
ou “errado” de se jogar RPG, mas sabemos que alguns perfis não se adequam a
certos grupos. Se você tem um grupo muito descontraído que se diverte mais em
brincadeiras em off e joga menos do que faz piadas, seu grupo pode estar se
divertindo muito, mas se tem outros jogadores que estão entediados e anseiam
pelo roleplay, talvez eles precisem mudar de grupo. Ou o mestre tenta equilibrar
para ver se consegue atender tanto a uma parte quanto a outra ou opta por
seguir uma conduta e amigavelmente os que discordam saem do grupo. Na teoria
parece fácil mas na prática não é, você leitor me diz indignado. Eu não disse
que resolver conflitos era fácil, disse? Mas ainda sim é melhor tentar resolver
do que conviver com o problema.
5) “Você ME matou, isso é injusto!”
A não ser que a ressurreição seja
muito comum em seu jogo, as mortes de personagens serão sempre um grande
problema no grupo. Alguns jogadores dedicam tempo, planejam e muitas vezes se
envolvem emocionalmente com seu personagem e não conseguem aceitar que eles
tenham morrido. Isso se agrava principalmente se a morte foi claramente
injusta. Mas até a justiça às vezes pode parecer relativa e o prejudicado
sempre se sente injustiçado.
Por outro lado, o mestre não
deveria ficar poupando a vida dos jogadores o tempo inteiro, pois isso dará a
sensação de invulnerabilidade, tirando o desafio do jogo. A questão é dar uma
morte justa quando a situação levar à morte do personagem. Mas muitas vezes nem
assim o jogador irá aceitar a situação.
Resolvendo o conflito:
Converse com os jogadores e
entrem em consenso se a morte foi realmente injusta. É uma decisão difícil,
pois as opiniões pessoais costumam ser parciais. Tente mostrar a situação a
outro jogador ou mestre de fora do seu jogo. Caso se chegue à conclusão de que
a morte foi injusta, tenha a justiça de voltar o jogo e cancelar a morte. Seja
fazendo com que o personagem ressuscite, seja dizendo que ele ainda tinha
alguns pontos de vida, ou realmente retrocedendo a história e cancelando. No
entanto, se a morte for considerada justa, o grupo deve mostrar isso ao jogador
e caso ele não compreenda, o ideal seria ele dar um tempo no grupo.
6) Regras, regras, regras...
Alguns sistemas de RPG são muito
complexos e a não ser que você não tenha mais o que fazer na vida, não irá
decorá-lo por inteiro. Algumas regras geram dupla interpretação e eventualmente
alguém poderá ser prejudicado por isso. Às vezes a mudança de uma regra ou
deturpação gerará algum desfavorecimento e naturalmente acontecerão as
contestações. Mas às vezes a coisa é levada tão a sério que acontecem debates
de horas sobre uma regra, ou sobre como aplicá-las. E alguns destes debates
podem se transformar em brigas...
Resolvendo o conflito:
O ideal é sempre usar o bom
senso. Se aos olhos do grupo a regra não parece se adequar a uma situação, por
que não modificá-la? Se uma regra gera dupla interpretação, decida pelo que
parecer mais adequado. No entanto, se modificar demais um sistema, é provável
que gere algum desequilíbrio, então cuidado com o excesso de modificações!
Lembrando que o mestre tem a decisão final, portando deve ser sempre o mais
coerente possível. Para poupar tempo em jogo, pode-se usar um fórum pra debate,
assim tudo fica resolvido pela internet, agilizando a discussão e ganhando
tempo de jogo.
***
O tempo é o melhor remédio...

Se você presencia um problema, o
ideal é que fale com o grupo e tente solucioná-lo. Tente convencê-los de que se
a harmonia do grupo for restaurada, todos irão se beneficiar.
Se você é um mestre ou jogador
que tem algum problema, pode tentar a partir de agora mudar seu comportamento. Comece
a se corrigir e seja franco com seu grupo. Admita a sua conduta e diga que de
agora em diante fará um esforço para se corrigir. Quem sabe nessa você não
melhora até como pessoa?
E vocês, já tiveram muitos
conflitos em suas mesas? As situações se resolveram para melhor ou para pior?
Não é porque os jogadores são paranóicos que algumas vezes a gente não persiga um deles, hehehehe
ResponderExcluirJá aconteceu de eu ser a preterida da mesa em q o meu namorado mestrava, ele queria ser tão justo q acabou por cair no outro lado do escpectro :P
ResponderExcluirahahuahuahuahua Manu Mesquita! Eu sei que historia é essa! ehehhe
ExcluirOlá sonhoritas! O post está muito bom mesmo, bem emblemático sobre muito do que acontece...estamos repostando o mesmo em espiritolivrerpg.rpgonline.com.br; gostariamos de conversar com vocês sobre parcerias, projetos, e coisas afins relacionados ao universo rpgistico!
ResponderExcluirExiste vários casos, mas passei recentemente por um interessante:
ResponderExcluirO sujeitinho implorava por jogo, gostava de jogar, mas era chorão ao extremo! Quando acontecia algo que ele não achava justo ou achava absurdo, ele começava a encher o saco tanto que até em Redes sociais ele ficava "tirando onda" e enchendo o saco.
Nesse caso, como acabou resultando em falta de respeito a solução foi simples: Mandei o babaca pro inferno e hoje ele enche o saco de outro! Huahsuhaush Ótimo pra mim que hoje jogo com pessoas mais maduras.
Cara, o jogador ou o mestre que não conseguem resolver um problema durante o jogo sem levar para o pessoal, não deveriam estar jogando juntos.
ResponderExcluirÉ somente a minha opinião, o post realmente revela um problema real raramente discutido.